17/12/2009

RELATO – SUPERNORMAL


Sou Anelise, agora. Porque antes de ouvir meu nome sendo falado por uma extraterrestre de 6350 anos, eu fui Ana Eliza. Já dá para imaginar como eu sou supernormal.

Pelo que minha mãe diz, desde pequena fui diferente – estranha é a melhor palavra.

Previa acontecimentos básicos – o carro ficaria sem freio na viagem, onde estava o documento perdido, psicografava canções da Maysa.

Para mim tudo era corriqueiro. Óbvio. Não sabia que as pessoas não sabiam antes do telefone tocar que o telefone iria tocar, e o nome de quem ligava.

Tudo era muito simples.

Como a família não sabia lidar com isso, deixaram como estava. Era melhor não contrariar.
Um acordo foi feito para sobrevivência de todos. Todo mundo iria achar super normal minhas ações, por mais loucas que fossem.

Agora, depois de muitos anos, aceitei porque ninguém falou nada da tal da musica de Maysa que psicografei. Vi mesmo que eles estavam estranhos só porque eu ouvia uma voz feminina rouca a cantar no meu ouvido... mas como minha canção não teve ibope, coloquei nas inúmeras pastas de poesia, e no lixo estão desde então...

Alias, não sei bem ainda, mas sempre sofri por amor desde cedo, e continuo sofrendo... acho que não me foi permitido amar um para poder amar todos agora – este é o máximo pensamento que consigo lidar com os inúmeros fracassos amorosos...

E hoje descobri que vou continuar assim... homens tem medo de mulheres que vêem o destino... podemos descobrir se eles nos traem... bobos, sabemos disto sem ter nenhum dom especial... eles não entendem nada de meninas mesmo...

Enfim, continuando o babado, o tempo passou.

Aí achei que realmente ultrapassei todos os limites. Aí me encontrei.

Aí foi que mudei de família.

Cheguei em casa, contei a todos, e começou a perseguição. Drogas, ilusionismo, charlatanismo... tudo que vocês podem imaginar foi usado como acusação ... só porque vi uma nave espacial bem na minha frente. Super normal. É só olhar para o céu, e contar com a sorte, claro... Enfim, a terra parou para a família. E justo eu que não bebo, não fumo, não uso drogas, e também .....não... (mas estas reticências são por pura falta de opção, como já expliquei....) fui acusada injustamente. Só por uma navezinha... e tive que escolher: ou a nave, ou a família.

Conhecendo a todos, preferi a nave.

Achei que ela me levaria a caminhos muito diferentes... bem mais próximos da minha realidade.

Estava certa. Não sei o que houve com meus irmãos, mas na minha vida foi uma reviravolta.

Depois das naves, vieram as visões, os contatos. E os compromissos com a humanidade. Tudo super-normal.

E a luz me acompanhou sempre. E se manifestou em momentos-chave.

Tipo assim, estava deitada e a luz azul apareceu. Não entendi o que ela quis falar, mas ela estava ali. Uma luz de alguma alma. Um dia ainda passo a limpo esta informação – para entender melhor, não era a luz de um abajur, era uma luz do tamanho de uma maquina de lavar roupa, brilhando forte a 2 metros do chão. Tinha 18 anos.




Antes disto tiveram também as inúmeras experiências com a luz. E se transformaram em tentativas de fugir de casa. Depois de uma regressão pude entender o motivo. Quando tinha 3 anos vi a luz dourada. Esta luz falava e passava informações. Foi o suficiente para fugir em direção do sol. Super normal, abri a porta da frente que estava trancada, saí pela escada em direção a rua, em direção ao sol. Não dava mais conta de viver onde ninguém me entendia, só porque eles não falavam com a luz dourada. Eu precisava da companhia da luz, achei que o sol poderia fazer esta diferença. Esta foi a primeira tentativa frustrada. A vizinha de apartamento me encontrou na rua, a 2 quadras de casa, subindo uma das avenidas mais movimentadas de São Paulo, em direção ao sol.

E meu jeito estranho para os outros continuou a imperar – estranho para os outros, mas para mim era super normal ver a pessoa que morreu sentada na igreja em plena missa de 7.dia dela mesma. E sabe que ele estava feliz ao ver todo mundo? Confesso que neste momento duvidei ligeiramente da minha sanidade mental. Não sabia bem em que realidade estava vivendo. Estava na missa do meu avô, morto há uma semana, e ele lá bem, feliz, sentado, gostando de ver as pessoas chegando. E do outro lado, minha mãe e toda a família e amigos aos prantos. Fiquei um pouco pastel com os mundos paralelos, mas achei melhor fazer cara de paisagem.

Teve também a luz prata que apareceu em casa quando tinha que tomar a decisão de qual emprego seguir: mudava para o Rio do Janeiro ou para o Japão. Decisão corriqueira na vida das pessoas normais. Apareceu uma luz muito maior que a maquina de lavar roupa e eu entendi que era para eu me mudar para o Rio. Não consigo entender como uma luz que não falou nada pode me dar a solução, mas eu entendi. Tentei explicar para meu namorado na época que estava de mudança de cidade porque a luz me disse isto sem palavras, mas ele não interagiu na mesma freqüência. Achou por bem virar ex-namorado.... homens...

E a vida continuou seguindo... eu vi uma pessoa da família ascensionar com as flores que minha mãe levava no tumulo, isto sem saber que minha mãe visitava o tumulo...

Vi minha vó se despedir de mim ao falecer, sem saber que ela havia falecido... Vi meu pai mandar vários recados para mim, e obviamente, não entendi nenhum deles. Sabe lá o que é estar dormindo no sofá e vem seu pai, que já fez a passagem, bem na sua frente, te acordar com um sopro e um grito abafado.. e começar a falar??? Não deu certo a tentativa dele. Fiquei sem a mensagem, mas com a informação de que ele estava bem. Pelo menos, rejuvenescido e feliz, isto estava!

Coisas super normais aconteceram, como você pode ver... e como no universo, os iguais se atraem... acabei encontrando meu caminho ao lado de outros tão normais quanto eu.

Não antes de passar pelo judaísmo, budismo, hinduísmo e tantas outras religiões. A família já estava se acostumando que todo ano havia uma nova piração. Pirâmides, meditações, encontros espirituais, cartas da rosa-cruz, hebraico e cabala.. e assim foi...

Mas teve um dia em que a Terra parou. Pelo menos para mim.

Fui a uma fazenda, a 1200km de casa, no interior do país, e me deparei com uma gigante nave no formato de pirâmide – imitava a pirâmide do Louvre, apenas em luz verde e vermelha. Tudo super normal, num lugar em que não havia luz elétrica.


AS AVENTURAS QUE VIVI NESTE CAMINHO

Você já andou por uma trilha na floresta que aumenta sem você saber – muda de caminho, fica clara, escura, com trechos que não existem em outros momentos? Já passei por isto também, e para completar, com 11 crianças que eu estava responsável.


Quando cheguei e encontrei os familiares das crianças, achei melhor simplesmente entregar os pimpolhos. Eles se encarregaram de contar os detalhes sórdidos.

E os pais adoraram! Incrível este povo! Os filhos passaram por uma estrada dimensional fora deste plano e eles acharam super-natural! Povo moderno...

Estas crianças sempre me deram muito orgulho. Com eles aprendi que pode chover pedras do céu, e as pedras têm perfume! Perfume de cheiro de bebê, de lavanda, de rosas, de chocolate, e até de pum! (coisas de crianças! Que logo pediram cheiro de chiclete! E não é que as pedras cheiravam chiclete?!) E elas que são as crianças!

Uma destas meninas conseguiu iluminar uma pedra. Colocou na mão e a pedra ficou envolta em uma energia verde-limão. A energia girava somente sobre a pedra, e não passava para a nossa mão. Super normal. Ela fez isto brincando... tenho a pedra até hoje – na minha mão nunca mais ela brilhou. No inicio dormia com a pedra, e a cada 10min eu olhava para ela... se ela aparecesse brilhando eu poderia ver de novo. Esta estratégia não deu certo. Passei algumas noites em claro olhando a pedra, e meu outro namorado não gostou nada da idéia... só ficava olhando a pedra... Eu fiquei com a pedra, e sabe que nem sei que fim ele levou?

Quase ia me esquecendo, a Nave-Mãe. Eu fui uma das testemunhas oculares da passagem no céu da Nave-Mãe. Um estádio de futebol voando sobre nossas cabeças. Com um campo eletromagnético tão forte que parecia que o céu enrolava e desenrolava. Fiquei completamente pastel por meses. Só pensava na Nave-Mãe. E fiquei imaginando se ela fosse a Estrela de Belém...Por isso os Reis magos cruzaram o mundo... eu iria até a China se pudesse acompanhá-la... a energia que ela emana é inexplicável. Pena que ela se mandou. Ainda gritei muito para ela me levar. Não ouviu. Tantos milhares de anos aguardando, e eu sem um mísero sinalizador – dizem que ela é tão velha na Terra, que o apelido para os íntimos é Sucatão.

Agora, sabe lá quando ela vai passar de novo... Por isso estou todos os feriados em lugares sem luz, ermos, só olhando para o céu. Quem sabe ela aparece de novo... Pena que nestes lugares não tem muita companhia... Meninos preferem a final do corinthias com o Ronaldo marcando 2 gols. Isto é que é motivo fútil. Aquele gorducho x sucatão. Sem comparação.

Mas tiveram também provas físicas. Eu vi as pegadas de uma energia feminina que habitou a Terra há 10mil anos atrás. Ela passou pelo deserto, na frente de 5 amigos, e deixou suas pegadas na areia. Esta experiência impressionante mexeu profundamente comigo. Sonho com esta energia. E continuo chorando de emoção ao lembrar que das suas pegadas emana uma forte vibração. E o mais normal disto, é que choveu no deserto (!) e as pegadas não desapareceram! Ficaram lá por muito tempo. E eu aqui... longe delas...longe dela. Fiquei tão impressionada que coloquei as fotos das pegadas no meu escritório, nos produtos que vendia, em tudo que pudesse. Fiquei alucinada pelos pés de uma mulher!


ALIMENTAÇÃO

Eu tenho pânico de maçãs. Há anos que como maçã. Milhares. Tudo porque desenvolvem os cristais da pineal. Mantém a energia vibracional no frontal – seja lá o que isto quer dizer, o importante é comer maçãs.


Pilhas. Montanhas. Carregamentos lotados de maçã.

Me tornei uma especialista. Agora, só como da fuji. Gala, nem pensar – mas os supermercados insistem em fazer ofertas da gala – maldição total. Deve ser porque eles gostam de vender gala, não de comê-las.

Aprendi um horário para comer as maçãs sem perceber. Tive que adotar uma estratégia para enganar meu cérebro. Agora, quando o relógio bate 18h meu estomago ronca de fome, o jeito é saciá-lo com advinha o quê? Maçã!

Tenho maçã pelo carro, na mala de viagem, na bolsa... na mesa do escritório.

No mercado acham que sou compulsiva. Sem motivo. Uma vez compramos uma caixa inteira delas. Estávamos em cinco pessoas em casa, e cada um deveria comer naqueles dias 5 maçãs cada um. Sucos, torta, purê, tudo era de maçãs...Sinto dizer, mas estes convidados não voltaram mais em casa. Mudaram para uma casa perto, e no dia em que mudaram, ainda liguei do supermercado para saber se eles precisam de algumas maçãs... não sei porque não aceitaram minha oferta!

No começo comprava das grandes, mas agora estou apelando para as da mônica...

Mas hoje dei um passo definitivo nesta história. Comprei um juicer. Um super esmagador de maçãs. E ainda misturo com cenoura, nem lembro que elas existem... só na hora de vê-las sendo trituradas....delicia....bem amassadas....

Mas tudo pode sempre piorar.. Teve a fase de comer cebola com mel. Era para ativar alguma glândula no cérebro – agora me esqueci exatamente. Mas a sensação de comer um prato de sopa de cebola crua com mel por cima, isto não esqueço mesmo. Depois de 10 dias comendo as cebolas com mel, minha mãe teve um ataque. Jogou tudo no lixo e disse que não agüentava mais aquela comida... Tadinha, teve um ataque furioso – foi o fim desta refeição e do prato da louça francesa junto. Isto porque não contei a ela que li as instruções erradamente. Era para comer a cebola (que poderia ser na salada) e depois uma colher de mel... como uma sobremesa.. não exatamente o mel em cima da cebola.... e esta dieta era por alguns dias, não por 15 dias... detalhes que só vim a perceber depois – achei melhor não comentar...

Teve também a semana da batata com ovos cozidos e suco de uva natural. Só isso durante 7 dias. Era uma tentativa para dar mais energia. Preciso dizer o que aconteceu? Só enjôo.

E quase ia me esquecendo. Uma delicia de gororoba! Semente de abóbora, gérmen de trigo, vitamina B e falta algo ainda – exatamente que dava a esta mistura um gosto horrível... só sei que misturava com suco de uva natural e glupt! Era para dar luminescência nas mãos. Nunca consegui. Fiquei horas no banheiro escuro para ver se as mãos exalavam luz verde. Teve um namorado que desistiu de esperar eu sair do banheiro. Preferiu uma amiga que não queria ficar verde. Uma desculpa fútil, não acham?

Teve também a fase do supermercado anti códigos de barra com ® dourado (sabe aqueles micro ® que existem ao lado no nome do produto? Era isto que eu procurava. Se fossem amarelo ou dourado , estavam proibidos em casa). Estes alimentos poderiam conter nanotecnologia. Vocês imaginam o que era fazer compras comigo ao lado? Cada pacote era minuciosamente examinado e ejetado do carrinho em caso positivo. Nesta época dividia a casa com um amigo. Depois de fazermos compras por 2 vezes juntos, ele saiu de casa. Disse que era insuportável viver comigo. Não agüentava mais eu jogar fora tudo que via com ® dourado. Achei a desculpa lavada, mas a casa era minha... e o ® dourado era uma ameaça a saúde publica. Perdi a companhia das baladas mas ganhei mais dias sem nanotecnologia. Aviso aos navegantes ....hoje não adianta mais procurar o ® dourado. Tudo está contaminado.

Agora tento viver uma vida saudável. Confesso que não consigo. Tenho vontade de comer doces, tomar café, e na verdade, não gosto muito de comer.

E a dieta recomenda comer muita carne vermelha. Desculpe-me vegetarianos, mas só a carne vermelha pode te salvar de ficar leve demais, fora da realidade. Só uma vaca irá te salvar! Agora até encaro um churrasco – desde que eu fique longe da churrasqueira para não estragar a chapinha e faça um acordo com o churrasqueiro. Troco carne boa por uma manutenção ininterrupta de cerveja gelada. Como não bebo, fico bem atenta para ele estar constantemente munido! (afinal, em churrasco da galera, só come quem cerca o cozinheiro...)

Mas hoje veio a sábia decisão do juicer. Agora eu vencerei esta batalha. Ao vencedor batatas, digo maçãs.

Para comemorar amanhã vou ao Ceasa – viverei de suco de couve com limão, beterraba com laranja, manga com gengibre. Sempre com uma maçã esmagada e disfarçada no meio.

Aguardem notícias!

Mas não pensem que é só a alimentação que deve ser regrada para esta vida super-normal. Tem também a ginástica.

Em teoria, deveria ser todos os dias.

Tenhos picos. Altos picos de preguiça e lampejos de natação.

O problema é que todas as vezes que me matriculo na natação, mudo de casa. Aí perco a matricula e o pique. E agora estou nesta fase. Pelo menos, tem um maiô novo para inspirar. Mas vem o frio... talvez eu pule mais esta semana...

Mas fica a maldição. Sem exercício físico o cérebro adoece, não tem carga elétrica suficiente no corpo para interação com realidades paralelas...

Mas que saco! Depois de tudo isto, ainda tem que ter barriga de chapinha para falar com gente de outro planeta.

Eta povinho mais exigente, sô!

E esqueci de dizer. Namorar faz bem. Imprescindível para alcançar um nível energético poderoso. A comunhão dos sentidos. Alguém pode só me explicar como se arranja alguém para este fim que suporte tudo o que vocês acabaram de ler??

Não deixe de ler em breve sobre como sobreviver a 07 banhos frios de 47segundos durante o inverno e muitas outras aventuras de uma vida super normal.


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